O que é a regra do sucesso?

Por Manuel Falcão, conselho executivo da Nova Expressão, planeamento de media e publicidade

Executive Digest

Por Manuel Falcão, conselho executivo da Nova Expressão, planeamento de media e publicidade

Pronto para aproveitar a oportunidade



AQUI HÁ MEIA DÚZIA DE MESES convencer um interlocutor de outra empresa ou de um cliente que todos ganharíamos em fazer uma reunião por teleconferência, nomeadamente quando existia uma distância razoável entre instalações, era geralmente uma coisa mal vista. E então, se fosse na mesma região, propôr falar em videoconferência durante 20 minutos para evitar uma deslocação, era coisa ainda mais mal vista. Veio a pandemia e tudo mudou. O Zoom invadiu as casas, é utilizado por pessoas de todas as idades, o Teams é usado por muitas empresas e o Skype extinguiu-se. A Google apareceu a correr atrás do prejuízo com o Meet, mas quando o lançou já o Zoom tinha apanhado o mercado não empresarial e até algum empresarial. A pandemia provocou uma disrupção na comunicação entre as pessoas e até dentro das organizações e mais uma vez se comprovou que é nestes tempos que as novas ideias podem ganhar velocidade e aderência, mesmo que já estejam no mercado. A história do Zoom é curiosa – era uma aplicação pouco conhecida e usada fora dos EUA. Mas de um dia para o outro toda a gente passou a saber o que era e milhões passaram a ser seus utilizadores. A infra-estrutura aguentou quase sempre o aumento exponencial da utilização, mesmo nos picos mais intensos de finais de Março.

A empresa que desenvolveu o Zoom foi criada em 2011, a aplicação que permitia chamadas em vídeo foi lançada em Janeiro de 2013 e em Março desse ano reivindicava um milhão de utilizadores. Em Dezembro do ano passado, afirmava ter tido 10 milhões de utilizadores diários. E a meio de Abril tinha atingido os 300 milhões. Este ano, a utilização aumentou mais de 70%, quando passou a ser uma ferramenta utilizada para dar aulas à distância no confinamento – forneceu o serviço gratuitamente a escolas de ensino básico e médio de muitos países. Ao mesmo tempo, tornou-se numa plataforma social que rapidamente ficou popular entre os mais novos, com as Zoom Blind Dates e as Zoom Parties. O fundador, Eric Yuan há quase uma década saiu da Cisco Systems, onde era engenheiro chefe, para entrar num mercado onde já havia players importantes, como o Skype. O Zoom não nasceu da pandemia – mas estava pronto quando a crise estalou e aproveitou. Esse é o talento dos disruptores: adivinhar onde podem estar à frente do seu próprio tempo. Como temos visto, a tecnologia é o novo ouro e os empreendedores que se destacam são os novos garimpeiros. E o mundo digital, cada vez temos mais essa noção, é o novo far west. Sobretudo quando a equação se decide entre a velocidade da transformação, a oportunidade, e a capacidade da tecnologia em lhe dar resposta. Foi o que o Zoom fez.

Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 173 de Agosto de 2020

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